quarta-feira, 4 de junho de 2008

Detran sai e Ibirapuera cresce


Folha de São Paulo - 02 de junho de 2008



Museus no parque


MAC-USP começa a preparar mudança para o edifício onde funciona atualmente o Detran, no Ibirapuera; Pinacoteca terá em 2010 um segundo prédio no parque da Luz


MARIO GIOIADA REPORTAGEM LOCAL


A partir do final do mês, quando o Detran (Departamento Estadual de Trânsito) deixará definitivamente o antigo Palácio da Agricultura assinado pelo arquiteto Oscar Niemeyer no parque Ibirapuera, São Paulo dará início a um projeto de dois novos espaços museológicos ambiciosos, amparados por grandes áreas verdes.De acordo com o secretário estadual de Cultura, João Sayad, as reformas para implantação do MAC-USP (Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo) no edifício e na área contígua seguem até junho do ano que vem. Com um acervo valioso, que inclui obras de Modigliani, Picasso e Tarsila do Amaral, entre outros, o museu ganhará uma nova sede e será rodeado por um parque, formado pelas antigas dependências do Detran e áreas vizinhas, como o terreno do Instituto Biológico.Já a Pinacoteca do Estado pretende, até o primeiro semestre de 2010, ganhar mais um prédio no parque da Luz, onde hoje funciona uma escola estadual.



MAC vai privilegiar contemporâneos


Museu quer justificar seu nome, mas obras modernas importantes terão atenção especial, diz diretora, que já dividiu espaços


De acordo com João Sayad, instituição será envolvida por área verde e ganhará espaço com a incorporação de terrenos vizinhos


DA REPORTAGEM LOCAL
A diretora do MAC-USP, Lisbeth Rebollo Gonçalves, está em definições finais de como será ocupado o espaço do novo prédio do museu, sede do Detran apenas até o fim de junho.No entanto, já tem estabelecida boa parte da divisão: quatro andares, incluindo o térreo, serão destinados a exposições; um andar ficará somente com o setor educativo; e o último andar, de um total de nove, na cobertura, abrigará um restaurante e um espaço para eventos menores, como lançamentos de livros e pequenas mostras."Um dos pontos que quero destacar é que a leitura do museu virá do contemporâneo para o moderno. Temos de frisar, como o próprio nome sugere, que o museu é de arte contemporânea", afirma ela.Gonçalves é a responsável por comandar um museu que possui cerca de 8.000 obras, com alguns "tesouros" raros de serem encontrados em outras instituições brasileiras (veja quadro ao lado). O acervo nasceu a partir da coleção do mecenas Ciccillo Matarazzo (1892-1977), doada à universidade e que fazia parte da primeira fase do MAM (Museu de Arte Moderna) paulistano.Dividido entre um prédio de proporções modestas na Cidade Universitária e um andar no Pavilhão da Bienal, também no Ibirapuera, o museu ganha com a nova sede uma visibilidade que ele nunca teria nos antigos espaços. Por isso, precisará passar por uma reestruturação administrativa."O conselho de museus da secretaria chamou a atenção para o fato de que esse museu vai ter, mais ou menos, 20 mil m2. Vai exigir uma grande gerência, mais gente envolvida", diz o secretário estadual da Cultura, João Sayad. "Com certeza haverá mais pessoal e condições de segurança, circulação e conservação incrementadas", diz Gonçalves.Jardim de esculturasA diretora do museu quer ainda criar espaços especiais dentro do prédio. Ela planeja um jardim de esculturas, com abertura para a área externa; um setor apenas de trabalhos de novas mídias, "mais tecnológico"; um espaço para os trabalhos em papel; um para fotografia, entre outros."Isso não significa que eles não se espalhem pelas exposições", afirma ela. "Também estamos aceitando doações e comodatos que ajudem a compor e melhorar o nosso acervo." Parte da coleção do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira, que foi transferida judicialmente para a instituição, fará parte das mostras.O MAC terá também montagem especial para suas "obras-ícones", segundo Gonçalves, como "Unidade Tripartida", de Max Bill, escultura que influenciou a eclosão dos movimentos construtivos no Brasil.Para inaugurar o espaço em 2009, ainda têm de ser escolhidas as exposições, mas é quase certo que uma delas esteja dentro da programação do Ano da França no Brasil, possivelmente a da Coleção Renault, com obras de Victor Vasarely e Pierre Alechinsky, entre outros.Parque envoltórioDe acordo com João Sayad, em junho do ano que vem, quando as reformas estiverem concluídas, as áreas que ficam atrás do atual Detran estarão unidas ao MAC e formarão uma grande área verde, como uma extensão do Ibirapuera."Com o Detran implementado como museu, há uma área imensa que pode se incorporar ao parque [Ibirapuera]. Existe solução. Com o Instituto Biológico, é fácil, é só tirar a cerca", afirma o secretário."No pátio do Detran, há uma escolinha de trânsito, galpões, área para burocracia. Ao lado, tem a garagem do CDHU [a companhia de habitação do Estado] e mais uma porção de coisas para tirar de lá."Segundo a diretora do MAC, concluídas as reformas, será necessário ao menos um mês para a montagem das exposições. "A área verde ao lado, se não estiver completamente pronta, ao menos vai estar com um novo paisagismo."Gonçalves também não determinou o que vai fazer com os espaços atuais que o museu ocupa. "Até a transferência, ninguém sai de nenhum lugar", diz. "O campus é importante porque temos disciplinas sendo dadas, programas de pós-graduação e outros compromissos com a universidade. E o público da USP é nosso visitante, terá à sua disposição mostras especiais", promete a diretora do MAC. (MARIO GIOIA)



MIS-SP VAI SER REABERTO EM AGOSTO


Outra das prioridades da Secretaria Estadual da Cultura, a entrega do novo MIS-SP (Museu da Imagem e do Som de São Paulo) -que passa por reformas no prédio e mudança de perfil, mais tecnológico- vai ocorrer com atraso. O museu, localizado no Jardim Europa, tem previsão de ser reaberto em 9 de agosto, de acordo com sua nova diretora, Daniela Bousso -a data inicial era abril. Contudo, as reformas de infra-estrutura estarão finalizadas neste mês.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Plano de arborizar São Paulo com 8.000 espécies tem preço alto e paisagismo ruim, dizem especialistas

FOLHA DE SÃO PAULO
São Paulo, domingo, 30 de junho de 2002


ADMINISTRAÇÃO

Plano de arborizar São Paulo com 8.000 espécies tem preço alto e paisagismo ruim, dizem especialistas

Marta compra planta até 5 vezes mais cara

SÉRGIO DURANDA
REPORTAGEM LOCAL

Os projetos de paisagismo da Prefeitura de São Paulo usam plantas, como a palmeira imperial, que têm preços de mercado que chegam a custar um quinto dos fixados nos editais de licitação. Na diferença maior, o município pagará R$ 2.600 por uma imperial que custa R$ 450 (incluído o transporte) no viveiro Mudas Meurer, de Dourados (MS).O valor das plantas varia de um edital para outro, o que não deveria ocorrer porque foram feitos na mesma época. Paisagistas e engenheiros agrônomos questionam a qualidade do projeto, que já aparece em publicidade da prefeitura na TV, e destacam o risco de mortalidade em massa de plantas.A preferência pela palmeira é o alvo das críticas. Para paisagistas, a escolha denuncia a falta de projeto. Em comparação a um grupo de árvores como a quaresmeira e o ipê, que tem copa maior, o palmeiral não é eficiente no controle da temperatura e na retenção de partículas de poluição."É de uma falta de cultura tremenda. Nosso país tem um acervo de arquitetos que já foi vanguarda internacional", diz Rosa Grena Kliass, presidente da Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas e autora de projetos como o do vale Anhangabaú.Os engenheiros agrônomos, por sua vez, apontam a fragilidade da espécie, que tem raiz curta e é mais suscetível às intempéries. "A imperial é indicada para locais espaçosos, não para um canteiro central, como na Faria Lima. No primeiro temporal forte, muitas vão cair", diz Carlos Adolfo Bantel, presidente da Sociedade Brasileira de Engenheiros Florestais.Os especialistas observaram erros de execução na avenida, como canteiros sem substrato (solo adubado) e palmeiras plantadas com torrão (solo endurecido em volta da raiz) para fora da terra.Além disso, as plantas permitem distorções contábeis por causa da variação de preço e tamanho. Uma guariroba de dez metros, prevista no edital, pode custar R$ 500. A mesma palmeira com seis metros de altura, padrão do mercado, sai por R$ 90 no viveiro Flora Tropical, de Limeira, no interior do Estado.O presidente da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), Maurício Faria, responsável pelos projetos de paisagismo, se diz surpreso com a cotação feita pela Folha.A reportagem teve acesso a sete licitações da Emurb, quatro com a planilha de serviços e custos. Para fazer a cotação, a Folha enviou pedido de orçamento a três empresas que comercializam plantas em larga escala. O pedido incluiu as três espécies mais caras de palmeira (guariroba, real e imperial), na quantidade e tamanho indicados em um dos editais.Na Floricultura Campineira, o preço da imperial variou de R$ 800 (31% do valor fixado no edital da prefeitura) a R$ 1.500 (58% deste mesmo valor), dependendo do diâmetro do caule. A maioria das palmeiras usadas pela prefeitura tem caule fino (mais barata).A licuri foi a única palmeira de preço alto (R$ 800 a unidade) não cotada pelos viveiros. A razão é que essa espécie é típica do Nordeste. Por isso, segundo especialistas, a opção pela licuri adulta é a mais arriscada.Os quatro editais analisados prevêem o plantio de cerca de 8.000 árvores de variadas espécies. A rapidez da licitação não deu tempo à Secretaria Municipal do Meio Ambiente para aprová-lo. A SMMA cuida de três viveiros, que fornecem gratuitamente mudas de parte dessas plantas.